O deputado Nelson Marquezelli participou nesta quarta-feira (17) de audiência pública no Ministério da Agricultura para tratar da importação de bananas do Equador. Recentemente o Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, em visita ao Equador, prometeu conversar com a presidente Dilma Rousseff para permitir a importação da fruta. No entanto, os produtores brasileiros alegam que a medida trará inúmeros prejuízos para a atividade.
O Brasil é o segundo produtor mundial de banana com 500mil hectares de área plantada, o que não justifica de maneira alguma a necessidade da importação desta fruta. A bananicultura esta espalhada por quase todos os Estados do país. Desenvolvida principalmente nas pequenas propriedades, ou seja, é um dos principais produtos da agricultura familiar nacional.
Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, gera aproximadamente 500 mil empregos diretos, sendo proporcionalmente uma das culturas que mais empregam, pois quase não utiliza a mecanização nos tratos culturais. Já indiretamente gera aproximadamente 2 milhões de empregos. Em algumas regiões do país é a única atividade econômica que move mercado, principalmente os novos projetos de assentamentos rurais no Nordeste.
A atividade desenvolvida no Equador é explorada por um pool de empresas multinacionais que dominam o mercado mundial no comércio de bananas e exploram os trabalhadores rurais neste país e na América Central, em virtude da grave crise européia e americana, tiveram uma sensível redução nos volumes exportados para estes países. A União Européia (UE), como forma de proteger a produção das ex-colônias taxa a importação de banana em 177 euros à tonelada, inclusive para o Brasil.
O Brasil sofreu grande prejuízo com a perda do mercado Argentino, Chileno e Uruguaio, anteriormente abastecido com bananas brasileiras, após a entrada da fruta equatoriana nestes mercados.
Segundo os produtores permitir a importação de bananas do Equador é contribuir para exterminar a bananicultura nacional, aumentando mais ainda o último êxodo rural, inflando as cidades, sem nenhuma infra-estrutura para absorvê-los e incluí-los no mercado, pois é desleal a concorrência com estes países neste setor. Assim ocorrendo será necessário aumentar o bolsa família e outras programas sociais para atender mais de 2 milhões de trabalhadores ligados a bananicultura em nosso país.
Na audiência, os presentes se comprometeram em trabalhar para que não seja liberada nenhuma importação de qualquer país. Participaram da reunião senadores, deputados, prefeitos, técnicos do ministério da Agricultura e de secretarias de Estados. Representado os produtores do Estado de São Paulo, o vice presidente da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira - ABAVAR, Rene Mariano, e o diretor do Sindicato Rural do Vale da Ribeira, Silvio Romão.
Vale do Ribeira
Composto de 23 cidades, na grande maioria, a bananicultura é a principal atividade econômica destes municípios, gerando e distribuindo rendas para toda a população. Estima-se que a bananicultura gera diretamente e indiretamente aproximadamente 80.000 empregos nesta região.
O Vale do Ribeira possui aproximadamente 1.800.000 ha de extensão territorial, destes 1.700.000 ha estão com cobertura vegetal natural. Atualmente a área ocupada pela bananicultura no Vale do Ribeira e Litoral Sul, segundo dados oficiais da LUPA (LEVANTAMENTO CENSITÁRIO DAS UNIDADES DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO - LUPA 2007/2008) é de 36.099,3 hectares, localizadas estas em pequenas propriedades, ou seja, em até 10 hectares, atividade esta da agricultura familiar.
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