O deputado Nelson Marquezelli apresentou nesta quinta-feira (3) um requerimento para abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a privatização do Banespa, banco público de São Paulo que foi comprado pelo Grupo Santander. O número de assinaturas recolhidas pelo deputado é bem superior ao exigido, 171 assinaturas.
A partir de agora, os banespianos aguardam a votação do requerimento e assim que for aprovado serão indicados os membros para composição por parte dos partidos. Há um limite de cinco CPIs simultâneas na Câmara e, atualmente, há apenas um requerimento à frente aguardando para ser instalada.
Congelamento de aposentadorias
Um dos focos da CPI será a operação que autorizou a liberação de títulos inegociáveis que garantiam a aposentadoria dos ex-funcionários do banco.
Entre 2002 e 2007, cerca de 16 mil aposentados e pensionistas tiveram a complementação de seus benefícios congelada. No mesmo momento, no entanto, os títulos emitidos para pagar a dívida do estado com o Banespa foram liberados para fazer parte dos ativos do Santander.
No requerimento, Marquezelli cita Fábio Barbosa, secretário do Tesouro Nacional à época e responsável pela liberação dos títulos.
"Nesse processo de privatização, os títulos deveriam servir para reajustar a complementação de pensão dos aposentados, mas tiveram um desvio de finalidade. Em vez de cumprir esse compromisso, eles foram para o caixa do Santander", explicou o presidente da Associação dos Funcionários Aposentados do Banco do Estado de São Paulo (Afabesp), Yoshimi Onishi.
Para o diretor da Associação dos Funcionários do Banco do Estado de São Paulo (Afubesp), Sergio Roberto Zancopé, a CPI será mais uma tentativa de fazer o Santander respeitar os acordos. "O trâmite da CPI tem nuances políticas, e vamos acompanhar para que nossas reivindicações façam parte dos trabalhos de investigação", disse.
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